Callister Inc

O pior tipo de fã é aquele nerd babaca e machista que quer controlar a história dos personagens que ele diz amar.

Gamefication

A Callister Inc é uma empresa de tecnologia avançada recém-criada e muito bem conceituada na indústria dos games. Ela está inserida em um segmento específico que utiliza a realidade virtual para uma experiência sensorial .

Letreiro com o logo na recepção.

Os seus escritórios estão localizado nos Estados Unidos e foram projetados em conceito aberto, no estilo empresas do Vale do Silício, sem biombos e outras barreiras físicas entre os funcionários.

O quadro de empregados abrange diversos engenheiros de informática, programadores e jogadores profissionais de video game para testar o jogo antes do lançamento.

Escritórios da Callister Inc.

O seu nome Callister foi inspirado na nave espacial das histórias de quadrinhos de ficção científica espacial Space Fleet. Essa nave está incluída no jogo e pode ser utilizada pelos jogadores.

Cartaz original.
A nave USS Callister do jogo Infinity.

O jogo se chama Infinity. Um multiplayer imersivo ambientado a bordo da USS Callister. O jogador tem o objetivo de explorar o universo, interagir com sua tripulação/amigos e fazer missões contra ameaças alienígenas.

Comercial do jogo Infinity, exibido no hall de entrada da empresa.
Leitor para inserir o jogador no jogo.

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A companhia foi fundada por dois amigos, James Walton e Robert Daly, o presidente e o diretor técnico, respectivamente.

O CEO James Walton (Jimmi Simpson) dentro do jogo.

Frota Estelar

O seriado de ficção científica Star Trek foi a principal inspiração para a ambientação e a trama do episódio USS Callister da minissérie Black Mirror.

A série Star Trek foi uma aventura espacial ambientada em um futuro utópico a bordo da USS Enterprise. Os protagonistas faziam parte da Star Fleet (Frota Estelar) e eram desbravadores do universo.

USS é a sigla para United States Ship (ou navio dos Estados Unidos em português) da US Navy. No espaço, USS significa United States Spaceship.

A nave USS Enterprise sobre o planeta Terra.
USS Callister viajando pelo hyperespaço.

A Frota Estelar foi a sucessora da ONU e as tripulações de suas naves eram diversificadas, com diferentes tipos de espécies, raças, gêneros e outros seres humanoides de carne e metal.

Trekkers

Hoje, Star Trek é uma marca muito lucrativa na indústria cinematográfica. Diversos filmes, séries e produtos são são produzidas a anos, a própria Netflix, produz o episódio citado anteriormente e a série original Star Trek Discovery.

Essa marca criou e cultivou uma legião de fãs desde que surgiu nos anos 60-70. A sua comunidade dos fãs ou fanbase também é conhecida e chamada de trekkers.

Trekkers de cosplay.

Por mais que diversas gerações conhecessem a ópera espacial original, consumissem os mais variados tipos de produtos, os reboots nunca foram bem-vindos na comunidade e costumavam demorar para entrar no gosto popular.

Com muitas referências, até a fotografia e efeitos especiais remetem ao reboot de Star Trek do diretor J.J. Abrams, que tem os lens flare (luzes refletidas no expectador) como sua assinatura em tela.

Star Trek de 2009 x USS Callister.

Toxidade Nerd

Assim como qualquer outra fanbase, muitos membros são extremamente conservadores e intolerantes. Uma parte minoritária tóxica que é contra o progresso e as inovações nas novas produções.

Esses fãs “xiitas”, costumam ser homens caucasianos, solitários e acumuladores. Não estão acostumados para a presença feminina em seus mundos.

As mulheres são os principais alvos, porque elas sempre foram vistas no passado como objeto sexuais ou como coadjuvantes, inclusive na série.

A série clássica e os filmes mais antigos tinham a mesma estrutura, ambos eram protagonizados e capitaneados por por homens e tinham poucas mulheres no elenco.

Coleção de fitas em VHS, action figures e outros objetos da Space Fleet no escritório do Robert Daly.

A Trama

No episódio da minissérie, vemos o cotidiano de alguns funcionários da empresa. Acompanhamos o cotidiano do idealizador e criador do código do jogo, Robert Daly e a recém-contratada, a programadora Nanette Cole.

Robert Daly sempre foi um aficionado pelos gibis fictícios da Space Fleet. Como era fã hardcore das histórias, se baseou nelas e criou sozinho uma representação idêntica do universo espacial em que era apaixonado com intuito de compartilhar com outras pessoas, o seu sonho em fazer parte da tripulação da USS Callister.

Apesar de solitário e introvertido, ele era cara legal e sempre foi simpático com as pessoas no mundo real. Mas na internet e quando estava jogando, ele se transformava e assumia sua personalidade de um nerd babaca machista, um troll, que fica xingando tudo e todos que não possuem a mesma visão dele de mundo.

Robert Daly (Jesse Plemons).

Enquanto isso, a Nanette Cole era uma nerd moderna, também apaixonada pelas as mesmas histórias em quadrinhos de Daly.

Uma nova geração de fãs que não tinham vergonha dos seus gostos e que puxava assunto com as pessoas sobre esses temas considerado de nicho anteriormente.

Ela escolheu a profissão de programadora, também saturada por homens e conseguiu o emprego dos seus sonhos.

Nanette Cole (Cristin Milioti).
Nanette Cole experimentando o jogo pela primeira vez.

Realidade Virtual dos Anos 80

A temática do jogo é vintage e remete muito as óperas espaciais dos anos 80 citadas anteriormente.

Os figurinos são bregas e muito coloridos, a cenografia feita de cartolina e papel marché, painéis cheio de botões inúteis, tecnologias retro-futuristas, monstros grotescos e poses nada naturais na hora das atuações.

O figuro da tripulação era dividido em cores de acordo com a hieraquia de comando.
Cenários internos feitos com materiais e efeitos especiais baratos.
Ponte de comando feita de papelão.
Painéis com muitos botões e mostradores inúteis.
Radar retro-futurista indicando o caminho da missão.
Um NPC extraterrestre monstruoso.

A Divindade da Programação

Robert Daly criou um servidor privado em sua casa. Diferente da proposta de jogar com os amigos, ele não tinha amigos, apenas colegas de trabalho.

Lá, ele imaginava e controlava seu mundo virtual ideal. Lá, ele era um deus da programação. Todas as missões do jogo eram previamente programadas por ele, assim como as ações tomadas pelos NPCs (personagens virtuais).

Estação de trabalho no apartamento do Robert Daly.

Quando o jogador pausava o jogo, todo mundo ficava parado esperando ele retornar. Aliados e inimigos não se moviam até o jogador decidir que estava pronto.

Cena do jogo pausado.

Cópias Digitais

Nenhum NPC foi criado do zero, todos os foram baseados em pessoas reais. Para a inserção de personagens, criador do jogo fazia uma cópia digital dos seus colegas e pessoas mais próximas utilizando amostras genéticas obtidas secretamente por ele.

Uma impressora tridimensional reversa que copiava todo o material genético coletado de objetos pessoas como copos descartáveis e escovas de cabelo para o mundo virtual.

Apesar de serem cópias digitalizadas, essas pessoas virtuais tinham consciência, mas pouco podiam fazer, pois o jogador controlava-os e os faziam obedecer aos seus comandos. Se eles o questionasse, sofreriam consequências como tortura psicológica e física.

Relacionamento Abusivo com o Video Game

Robert Daly era paranóico, invejoso e ciumento com seus colegas de trabalho. Nunca chamou atenção deles e como sempre foi uma pessoa quieta e pouco querida entre eles, nunca manifestou seu descontentamento.

Espionando os funcionários de longe.

Como vingança e prazer pessoal, ele pegou escondido amostras genéticas deles e os colocou dentro do seu servidor privado para descontar sua frustração e raiva contra eles.

Coleta ilegal de material genético.

Fanart oficial

O designer brasileiro Butcher Billy, fã da minissérie, desenhou fanarts simulando capas de quadrinhos retrôs para os todos os episódios das temporadas anteriores.

Isso chamou a atenção do produtor Charlie Brooker e da Netflix, que logo, o contrataram para criar objetos que seriam colocados em cena na temporada, principalmente neste episódio.

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As capas das revistas em quadrinhos e das fitas VHS da Space Fleet, assim como os cartazes emoldurados por todo escritório da Callister Inc, foram feitas por ele..

Arte desenhada pelo brasileiro.